ITINERÁRIO VOCACIONAL   (José Lisboa Moreira de Oliveira, SDV)

A animação vocacional tem por objetivos: despertar para a vocação humana, cristã e eclesial; discernir os sinais indicadores do chamado de Deus; cultivar os germes de vocação e acompanhar os processo de opção vocacional consciente e livre.

Temos, pois um itinerário com quatro etapas.

1. DESPERTAR
Neste primeiro momento do caminho, o Serviço de Animação Vocacional, quer levar todas as pessoas que fazem parte da comunidade cristã a tomar consciência de que são chamados pelo Pai, por meio de Jesus Cristo, na ação do Espírito Santo, para uma missão bem específica na Igreja. Fica claro, portanto, que o despertar, sendo destinado prioritariamente aos jovens em processo de busca, deve contemplar também as outras pessoas, mesmo aquelas que já abraçaram uma determinada vocação específica.

Esta etapa acontece progressivamente e simultaneamente em três níveis :
> Despertar para a dimensão humana da vocação. Nosso primeiro chamado é para sermos gentes, pessoa, cultivando aqueles valores que caracterizam o ser humano enquanto tal.
> Despertar para a dimensão cristã da vocação. Trata-se de despertar para a vivência do compromisso batismal, para o exercício fiel da missão que nasce do batismo que recebemos.
> Despertar para dimensão eclesial da vocação. É preciso despertar para concretização do compromisso batismal. Fazer as pessoas perceberem que não é possível ser cristão de forma genérica, mas somente no ato de assumir compromissos concretos, serviços específicos dentro da comunidade.

2. DISCERNIR
Este momento do itinerário vocacional deve basear-se não apenas nas aptidões do vocacionado ou vocacionada. Ele deve levar em conta, sobretudo as motivações. O que realmente está levando esta pessoa a buscar este tipo de vocação específica?  Para responder a esta pergunta é indispensável que o animador (a) vocacional conheça bem o jovem:  sua história, sua cultura, sua família, etc.
O objetivo desta etapa é fazer com que a pessoa passe de motivações insuficientes e inadequadas para uma motivação madura e adequada. Sendo o discernimento algo tão complexo e delicado, é importante que ele seja feito com a ajuda de uma equipe com pessoas experientes em várias áreas: psicologia, espiritualidade, teologia, família, etc.

3. CULTIVAR
Sendo esta uma etapa que visa alimentar, desenvolver, reforçar a opção amadurecida no período do discernimento, convém que ela seja caracterizada pelo aprofundamento, em três níveis:

> Nível da Espiritualidade, o vocacionado (a) dever ser levado (a) a fazer experiência, cada vez mais intensa, da comunhão com a Trindade, a partir opção que está sendo feita.
> Nível da reflexão, a pessoa deve poder contar com subsídios e com uma catequese que a ajude a perceber, com sempre mais clareza, para onde ela está andando.
> No nível da ação, deve poder experimentar concretamente, sem enfeites, o estilo e vida que está sendo chamada a viver. Cabe a  EVP encontrar métodos, isto é, uma pedagogia adequada para isso.

4. ACOMPANHAR
Em primeiro lugar é necessário manter um sadio equilíbrio entre o acompanhamento individual e aquele grupal. O acompanhamento individual visa a personalização da vocação. Ajudar a pessoa a ser ela mesma, a responder, de forma única e irrepetível, o chamado que lhe foi feito pela Trindade. Já o acompanhamento grupal tem como objetivo ajudar o vocacionado (a) a inserir-se na comunidade, lugar onde necessariamente a vocação.

ATIVIDADES DE CADA ETAPA DO ITINERÁRIO
As atividades de cada etapa são diversas e numerosas. Dependem da criatividade da equipe de Animação Vocacional, da realidade de cada lugar e dos meios disponíveis. O importante é que elas sejam simples, objetivas e ajudem de fato os vocacionados e vocacionadas a percorrer o caminho da resposta ao chamado divino.

Na etapa do despertar as atividades devem estar voltadas para a descoberta e vivência da vocação batismal. Elas devem causar inquietações, desejo de maior empenho, de mais radicalidade.
Normalmente nesta etapa acontecem os encontros vocacionais, os Cursos de Conscientização Vocacional (CCV), gincanas, semanas vocacionais, vigílias, pequenos retiros vocacionais, etc. Tudo isto, porém, só terá sentido se a comunidade cristã for uma comunidade viva, evangelizada e evangelizadora.

O período do discernimento supõe o primeiro. Trata-se de ajudar pessoas que foram “sacudidas” e que se encontram “balançadas”, buscando algo mais concreto, mais radical. As atividades aqui são basicamente a direção espiritual e orientação psicológica. Isto exige, é claro, um clima de autêntica oração. Sendo a etapa do cultivo o período do aprofundamento nos níveis da espiritualidade, da reflexão e da ação, as atividades aqui giram em torno da leitura orante da bíblia, do estudo mais sistemático  e do exercício de funções e serviços ligados à vocação específica pela qual se quer optar.

Nesta etapa o vocacionado ou vocacionada já deve experimentar de forma bem mais concreta o estilo de vida que deseja abraçar de forma definitiva no futuro. Na do acompanhamento às atividades são de caráter mais formativo.

Trata-se de ajudar quem já optou por uma vocação específica. Tudo aqui vai acontecer dentro de instituições destinados à formação vocacional tais como: comunidades vocacionais, comunidade de acolhimento, centro de orientações vocacional, encontros de formação para leigos e leigas, seminários, e outros, O lugar privilegiado para a motivação vocacional é a Liturgia. Uma celebração bem preparada e vivida torna-se fonte fecunda de novas vocações.

A equipe vocacional deve preparar as celebrações com muito carinho, tendo os seguintes cuidados:Escolher muito bem os cantos; as frases; os cartazes; preparar alguma lembrança para ser distribuída no final da celebração.Preparar com cuidado a homília ou reflexão, os comentários, a preparação das preces...

Outro espaço muito importante é a catequese. É através dela que as crianças e adolescentes se encontram com Jesus Cristo e aprofundam a sua fé. Os catequistas devem ter uma grande atenção vocacional. Para que isto aconteça é importante preparar bem a catequese.Organizar: catequeses vocacionais; jograis, teatros; concursos de cartazes, poesias; entrevistas; encontros vocacionais. O catequista é um dos primeiros animadores vocacionais.

O trabalho com os Adolescentes e Jovens é fundamental para termos mais vocações em nossas comunidades. Dentro da opção pelos jovens."Uma pastoral da Juventude que leve em conta a realidade social de nosso continente, atenda ao aprofundamento da fé para comunhão com Deus e os homens; oriente a opção vocacional aos jovens; ofereça-lhes elementos para se converterem em fatores de participação ativa na Igreja e na transformação da sociedade".(Puebla 1187).

Encontros, palestras, retiros vocacionais; festivais,  gincanas com temática vocacional; concursos de poesia, música, teatro; atividades missionárias; festas e promoções para arrecadar fundos para vocações. Não podemos esquecer o trabalho junto às Famílias - A Pastoral Vocacional dá atenção toda especial à família, lugar de nascimento de todas as vocações. A Pastoral Vocacional e Familiar devem caminhar unidas na busca de caminhos novos que ofereçam às crianças, adolescentes e jovens, reais oportunidades vocacionais.A responsabilidade vocacional é de todos. Nossa Comunidade tem uma grande missão.

Depois da família a comunidade é o lugar ideal para o trabalho da Pastoral Vocacional.É ali que se realiza a educação da fé.

O Papa João Paulo II nos propõe quatro condições para a fecundidade vocacional da comunidade: "Sede uma comunidade viva; sede uma comunidade orante; sede uma comunidade que chama; sede uma comunidade missionária".

Citamos algumas sugestões para as equipes vocacionais paroquiais: missas e cultos vocacionais; reuniões para grupos de famílias nas comunidades; diálogo com os pais sobre a vocação dos filhos; horas santas, novenas, rosário vocacional; promoção no campo financeiro: festas, bingos, coletas de recursos financeiros. Cabe a cada equipe a partir da sua realidade elaborar as atividades que poderão ser realizadas.