Caríssimos,
não gosto de escrever cartas “circulares” aos amigos, mas vistas as circunstâncias faço uma exceção, para poder dizer logo a todos em que ponto estou, assim o diálogo pessoal que tenho com muitos de vós poderá continuar sem interrupções.
Acabados os 18 anos de serviço na Direção do PIME (junho de 2001), pedi para poder voltar ao Bangladesh, e a nova Direção acedeu. Foi a primeira decisão que tomou, e eu disse ao Pe. Gianni, o superior, e aos conselheiros que foram mesmo bravos!
O
governo do Bangladesh foi menos benévolo,
pois me concedeu o visto de entrada somente anteontem, depois de nove meses
de espera. Meses que preenchi de tantas coisas interessantes e dos quais
nem me queixo.
Penso
então repartir aos 15-17 de maio (depende dos lugares nos aviões),
depois de uma rápida saudação aos meus e alguns dias
de retiro, se puder em Bose.
E
depois?
Gastarei
dois meses para retomar contato com a língua bengalesa, que por
sorte não esqueci ma certamente necessita de um forte repasse.
Depois
os encargos que terei serão dois, um principal e o outro acrescentado.
O
primeiro: padre espiritual e professor no
seminário filosófico-teológico de Dhaka.
É
o único seminário maior do Bangladesh, e reúne os
seminaristas das seis dioceses do país, atualmente uns setenta,
aos quais se devem acrescentar uns trinta religiosos que participam
da escola mas vivem em comunidades separadas.
O
segundo: coordenar a atividade que o PIME
faz em Myanmar, desde alguns anos, para sustentar e qualificar o
seminário teológico nacional e o ano de espiritualidade.
Por
isso, indo em Bangladesh, farei uma semana em Myanmar para tomar contato
com os responsáveis e concordar assim os programas.
Estou muito contente de repartir, e considero uma incrível sorte que me “obriga” a rejuvenecer procurando caminhos para colocar a serviço dos futuros padres do Bangladesh e do Myanmar a experiência vivida até aqui.
Sei que o repartir é uma fadiga, mas vale a pena. Sei também que de vez em quando volta a saudade, mas nenhum relacionamento se perde, todos continuam no afeto, no empenho comum, na oração e - querendo - mantendo os contatos.
Se,
às vezes, telefones, fax e correio não funcionam,
tomai-a como ótima ocasião de exercer
a paciência, pensar melhor ao que se quer dizer, e lembrar-se que
o mundo caminhou por milhares de anos sem estes meios;
S.
Agostinho, S. Brígida e S. Feliz de Sigmaringa se santificaram sem
telefone. Se toda vez que tentardes me comunicar, sem conseguir, direis
uma Ave Maria para mim, colecionarei sem dúvida muitos benéficos
terços intercontinentais.
A todos um abraço fraternal e asseguro minha amizade singela.
No
Senhor
Padre
Franco Cagnasso
PIME
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92
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DHAKA
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