Roma, 27 de abril de 2002

Caríssimos,

não gosto de escrever cartas “circulares” aos amigos, mas vistas as circunstâncias faço uma exceção, para poder dizer logo a todos em que ponto estou, assim o diálogo pessoal que tenho com muitos de vós poderá continuar sem interrupções.

Acabados os 18 anos de serviço na Direção do PIME (junho de 2001), pedi para poder voltar ao Bangladesh, e a nova Direção acedeu. Foi a primeira decisão que tomou, e eu disse ao Pe. Gianni, o superior, e aos conselheiros que foram mesmo  bravos!

O governo do Bangladesh foi menos benévolo, pois me concedeu o visto de entrada somente anteontem, depois de nove meses de espera. Meses que preenchi de tantas coisas interessantes e dos quais nem me queixo.
Penso então repartir aos 15-17 de maio (depende dos lugares nos aviões), depois de uma rápida saudação aos meus e alguns dias de retiro, se puder em Bose.

E depois?
Gastarei dois meses para retomar contato com a língua bengalesa, que por sorte não esqueci ma certamente necessita de um forte repasse.
Depois os encargos que terei serão dois, um principal e o outro acrescentado.

O primeiro: padre espiritual e professor no seminário filosófico-teológico de Dhaka.
É o único seminário maior do Bangladesh, e reúne os seminaristas das seis dioceses do país, atualmente uns setenta, aos quais se devem acrescentar uns  trinta religiosos que participam da escola mas vivem  em comunidades separadas.

O segundo: coordenar a atividade que o PIME  faz em Myanmar, desde alguns anos, para sustentar e  qualificar o seminário teológico nacional e o ano de espiritualidade.
Por isso, indo em Bangladesh, farei uma semana em Myanmar para tomar contato com os responsáveis e concordar assim os programas.

Estou muito contente de repartir, e  considero uma incrível sorte que me “obriga” a  rejuvenecer procurando caminhos para colocar a serviço dos futuros padres  do Bangladesh e do Myanmar a experiência vivida até aqui.

Sei que o repartir é uma fadiga, mas vale a pena. Sei também que de vez em quando volta a saudade, mas nenhum relacionamento se perde, todos continuam no afeto, no empenho comum, na oração e - querendo - mantendo os contatos.

Se, às vezes, telefones, fax e correio não funcionam, tomai-a como ótima ocasião de exercer a paciência, pensar melhor ao que se quer dizer, e lembrar-se que o mundo caminhou por milhares de anos sem estes meios;
S. Agostinho, S. Brígida e S. Feliz de Sigmaringa se santificaram sem telefone. Se toda vez que tentardes me comunicar, sem conseguir, direis uma Ave Maria para mim, colecionarei sem dúvida muitos benéficos terços intercontinentais.

A todos um abraço fraternal e asseguro minha amizade singela.

No Senhor
Padre Franco Cagnasso

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