Catió (Guiné-Bissau, África), 15 de agosto.
 

Olá Pe. Roberto e vocacionados,

Estou aí de novo, após dois meses de silêncio. Este silêncio não tem nada a ver com preguiça ou falta de assunto.
Queria simplesmente entrar na minha nova missão, o que já aconteceu.

Estou em Catió, a mais distante das missões do P.I.M.E. dentro da Guiné-Bissau. Agora me sinto de novo "gente" e "padre". Posso celebrar a Eucaristia com o povo, rezar com eles, participar de suas alegrias e esperanças e anunciar Jesus Cristo a quem ainda não o conhece.

Todavia isso não quer dizer que está sendo fácil a minha re-inserção na Guiné-Bissau depois de onze anos de Brasil.

É como se estivesse chegando pela primeira vez.

A Guiné mudou. E infelizmente devo dizer que deu marcha a ré: crianças desnutridas, morrendo as centenas, jovens sem futuros se consumindo na droga, velhos comidos pelo vinho de caju e que conseqüentemente não são mas referencial para as gerações futuras.

Um mundo sem pão, sem justiça, sem esperança, porque falta Cristo. É urgente que Cristo seja anunciado radicalmente, sem romantismo missionário. Não podemos ter medo de ofender a cultura. Evidentemente que Cristo deve entrar nos valores culturais, principalmente o da justiça.

Diga aos seus vocacionados que não tenham medo de aceitar o chamado de Cristo, para ser "Ele mesmo", Cristo, no meio desse mundo de competição.

Diga para saírem da acomodação que está matando tantos jovens. A doença contagiosa no ocidente e nos países de civilização ocidental: jovens morrendo de inanição.

Diga a eles que não e necessário gastar adrenalina em esporte radical ou consumindo drogas. Aqui e aí tem muito trabalho para gastar energia, fazendo o bem, isto é, imitando Cristo e sendo Ele mesmo, nas periferias do mundo.

Fale disso a eles!

Gostaria imensamente que você passasse por aqui para conhecer de perto a nossa realidade, aliás, todos os animadores deveriam fazer um giro pelas missões para não serem teóricos e falarem aleatoriamente das missões, principalmente para quem nunca trabalhou nas missões. E fácil acostumar com os cristão e esquecer os não cristãos. Claro que não é o seu caso. Estou falando dos jovens.

Estarei sempre ligado com você e o seu grupo. Se precisar de material vivo e real e só me solicitar.

Um abraço a todos do Missão Jovem e ao grupo vocacional. A você o meu abraço sincero e amigo, em Cristo por Maria, no Espírito.

Pe. Darci Augusto Alves  PIME