clica"Enviada em missão
      para a Papua-NovaGuiné"
 
 

    Irmã Jane, missionária da Imaculada do PIME,
    testemunha a grandeza do encontro com o "diferente"
 

Neste sábado, 20 de novembro, O COMIDI (Conselho Missionário Diocesano) da Diocese de Santo Amaro (São Paulo, Brasil) realizou sua última reunião com os representantes dos COMIPAs (Conselhos Missionários Paroquiais)  no salão da Cúria Diocesana. Na ocasião os participantes, receberam um verdadeiro presente de fim de ano: o testemunho missionário de Irmã Jane, da família das missionárias da Imaculada do PIME. Ir. Jane é natural do Norte de Macapá e foi enviada em missão para a Papua-Nova Guiné há dois anos. Acompanhe na íntegra o belo testemunho de Ir. Jane: um "avançar para águas mais profundas" ao encontro do diferente.

- Vou falar um pouquinho do lugar e do povo do qual a gente agora faz parte e do lugar onde a gente pertence. Estamos na Papua - Nova Guiné, que fica perto da Austrália. Dizem que a Austrália tem um chifre, um buraco bem na cabeça  e dizem que foi a Papua Nova Guiné que se separou. Houve um grande fenômeno natural e aí a Papua se separou. Então aqui é a Papua Nova Guiné que é emendada com a Indonésia, Irandjaia.

Mas eu não estou na parte principal do país, eu estou perdida numa pequena ilha  no meio do oceano. Queria começar dizendo pra vocês que aquilo que a gente vai partilhar é o fruto de uma vivência de dois anos. Eu posso enganar porque é fruto do que vivi, do que entendi,  daquilo que tive experiência. É tudo muito pouco, dois anos, eu considero que estou no solar da porta da cultura do povo onde estou, eu não sei nada.  Eu estou tentando entender e colocar os pés no chão da realidade onde estou. Então vocês têm o direito de duvidar e têm que duvidar daquilo que eu falo, porque é aquilo que o coração viveu e vivencia agora.
O conjunto dessas ilhas chama Ilhas  Trobriand. Eu acho que é o nome do homem que a descobriu. Essa ilha não é uma única, são quatro ilhas : Ilha Queleuna, Kitawa,Vafuta, e Quiriui, que é a maior e que é o lugar onde estamos. E a gente mora "in land" ( dentro da terra).

E falar um pouquinho dos Trobriandes é dizer que a minha experiência de missionária quando cheguei foi assim: no início a gente se encanta logo com a beleza do lugar, um paraíso, um lugar lindíssimo, praia, coqueiral, muita mata, muita flor, é uma ilha plana, não temos montanhas, nada. A gente se encanta com o povo e tudo o que a gente conhece.

A gente logo vê de imediato algumas belezas, depois quando a gente começa a conviver com o povo vem as dificuldades. A gente  começa a entrar em crise. E crise é muito bom , embora a gente sofra e dói muito, mas crise é muito bom na vida da gente. E quando eu comecei a ver o jeito do povo, é um outro mundo, é uma outra mentalidade, é um outro jeito de ser, que não é melhor e nem pior do nosso jeito de ser. É diferente. E vocês sabem que o diferente dá medo na gente porque estamos acostumados a ficar seguro onde conhecemos todos que já são do meio da gente. Assim, sou muito boa coordenadora de infância missionária,  entendo de pastoral da criança. Então ali é o meu mundo, o meu reino, eu sou a "rainha da cocada preta", entendo tudo.

Até que vai para um lugar onde não se sabe a língua, você vira criança . Tem que aprender a rezar numa outra língua, tem que aprender a conversar com Deus numa outra língua. E se você quer se fazer entender e entender os outros, você tem mesmo que engatinhar, balbuciar, virar criança, bebê.
Então a gente estremece nas bases e se pergunta: o que vim fazer aqui meu Deus? Estava bom lá no Brasil onde sabia fazer tudo, sabia de catequese, sabia animar, sabia ir pra frente, sabia falar e o que estou fazendo aqui?

Eu nunca duvidei da minha vocação missionária, mas quando coloquei os pés naquela ilha, pensei: estou no lugar errado. Eu vou voltar pra casa e não tenho vergonha nenhuma em voltar pra casa, dizer que não dei conta do recado . Foi um momento de escuridão na minha vida. Mas foi uma escuridão abençoada. Deus nunca abandona, ele sempre ajuda a gente a descobrir caminhos.

- Eu vou falar do pouquinho do que vimos, que é o povo de Trobriand.

Eles dizem que agora nós somos 40 mil habitantes, que tem duas principais religiões que é da Igreja United, Igreja Unida e os Católicos e sendo muito otimista talvez a gente chegue a 1% desses 40 mil habitantes. Então a Igreja Protestante, a Igreja Unida é a maioria, depois tem as facções que são todas denominações de nossos irmãos evangélicos. Um estilo que vocês conhecem:  Igrejas Pentecostais . Então a vida dos Trobriandes gira em torno do clã. O clã tem várias tribos. E nós temos quatro principais clãs em Trobris: Malasi, Lukwasisiga, Lukulabuta e Lukuba.

A estrutura é mais ou menos assim:  em cada vila  tem o chefe. O chefe é o ancião, é o mais idoso, aquele que tem mais respeito. Antes não se podia casar dentro do mesmo clã. Agora com a modernidade que também já chegou lá, algumas coisas da cultura estão mudando não é mais como nos primórdios.
Em cada ilha tem o chefão de todas as vilas. Então problemas de terra, brigas, casamentos, todas essas coisas passam pelo tribunal da vila, (na organização deles tem o tribunal da vila), esse chefão é chamado e depois de ouvir as histórias, vai dar a sentença final.

No início, bem nos primórdios, os Trobriandes não usavam roupa, não usavam nada; como ainda hoje na África, as mulheres andam com a parte de cima desnuda. E é uma coisa tão natural, tão bonita! A gente não sente vergonha , a gente se sente em casa. Mas aí vem os missionários  e começa aquele negócio da roupa. Eu acho que a gente não sabe lidar muito bem com a nossa sexualidade. A gente vem de uma outra cultura, tem uma outra mentalidade, e quando encontramos uma outra pessoa sem roupa, não sei o que acontece conosco que somos ocidentais. Temos uma certa vergonha, um pudor e começa a botar roupa no povo. Mas antes não usam roupa, as mulheres usavam uma saia.  É uma saia feita de folha de bananeira, um trabalho impressionante. E o homens usavam uma espécie de  cuequinha feita de uma palmeira chamada pântanos que cobre direitinho na frente e atrás.

Então eles têm esse senso de pudor à maneira deles. Hoje em dia vem a modernidade, aí vem as roupas e todo mundo começa a se vestir a gente percebe que as meninas quando têm as festas tradicionais já sentem vergonha de se vestir tradicionalmente, o que é uma pena. A gente sente que o povo é muito orgulhoso do que é. A sua cultura é muito forte e são tão orgulhosos do que são que demonstram isso pra gente na postura física. Eles não dizem com palavras mas com certas ações, quando a gente que dar uma idéia, que não precisam da gente.

E nós missionários temos a mania de que a gente vai para ensinar, a gente vai com toda bagagem porque eles só têm a receber. E esse é o maior erro que a gente faz, seja missionário dentro como missionário além fronteiras. Uma das conclusões que tiro desses dois anos pra vocês, é que a gente não vai para ensinar nada, a gente vai para partilhar aquela experiência de Deus na nossa vida e pra tentar ajudar que eles percebam essa presença de Deus, do Deus de Jesus Cristo na vida deles.

A formação é outro passo. Eu entendo hoje que missão é Graça, missão é graça porque a gente recebe tanto quando a gente abre o coração para a beleza  de Deus que é presente nessas culturas. Para a presença de Deus em todo sentido físico, espiritual, a beleza de Deus que já é presente nesses povos. É uma riqueza que te muda que te transforma e que te faz ser mais gente também. No início quando vi que os Trobriandes eram muito materialistas, é também fruto de uma evangelização que acostumou a dar; hoje em dias eles pensam que a missão, que os missionários tem que dar, dar, dar, as coisas nas mãos, a coisa material .

Eles tinham essa visão de materialismo e talvez tenha sido reforçado. Na porta de casa todo dia tinha gente: Irmã querosene, Irmã sabão, etc. E isso pra você que chega, te perturba, te irrita pq ninguém vem pedir para falar de Jesus Cristo, ninguém vem pedir para conversar sobre Jesus e aí, depois com a convivência, você vai entendendo que às vezes, pedir é só a desculpa para poder começar a conversar.

E aí a gente tem que escolher a ocasião, pra começar a perguntar da vida deles.
É um povo de muito bom-humor. Eles têm um humor fantástico. São abertos. Nossa ilha é de coral, um grande coral que flutua no oceano. Então não tem estrada de asfalto, não tem nada, é pedra de coral. Vocês precisam ver como é impressionante ver que eles andam com os pés nus naquelas pedras de coral, já tem uma crosta na sola do pé que anda com uma facilidade tremenda.
A gente anda muito porque transporte é algo muito limitado.

Não temos luz,  usamos lâmpada de querosene . Não tem luz elétrica mas já é desenvolvido num lugar a bateria solar. Isso já é coisa de missionário. E agora conseguimos um gerador, pra poder ter um computador , uma máquina de xerox, uma televisão para colocar vídeo para ajudar na questão da formação. Isso é um outro mundo que não faz parte da realidade deles, mas sentimos a necessidade de se equipar melhor, para servir melhor.

Eles não nos convidaram para ir lá, para ir para a ilha deles e fazer o que estamos fazendo. Nós é que fomos os invasores, entramos lá porque a gente tem um produto para vender. A Boa Nova de Jesus é o nosso produto. E a embalagem do produto é a pessoa do missionário, é o primeiro contato, é a propaganda e a embalagem do seu produto. Que tipo de embalagem eu sou ??
Se sou uma embalagem triste, rabugenta, encrenqueira, fechada, quem é que vai querer o meu produto?!

Eu acredito no que estou vendendo e pra mim é importante o relacionamento com o povo. Quando cheguei lá não sabia o que fazer, pegava material todo em inglês. A gente fala duas línguas lá: pra quem estuda pra quem vai na escola,  o inglês e a língua do povo que é Kilivila. Na língua tem palavras em latim e em espanhol. Seria interessante fazer um estudo da língua.
O conhecimento ajuda a desejar mais, a ir pra frente.

Eu sou filha da Pastoral da juventude, eu "sinto" essa questão do relacionamento, de ter o coração aberto para o outro.
Como brasileiros a gente gosta muito de beijar, de abraçar e o povo de Trobris não é assim. Eles têm o jeito deles de demonstrar carinho de demonstrar apreciação. Então quando comecei a me relacionar com eles e que não tinha aquela história de beijar, de abraçar, eu tinha que ficar dura na frente deles, comecei a pirar. Como vou entender se estou sendo aceita. Uma grande preocupação.

O adolescente um dia falava comigo que era uma beleza em outro dia passava por mim e nem me via. E isso doía muito. E comecei a me esconder dentro de casa. A gente está dá para ver os estudantes todos os dias. E quando chegava a hora do intervalo, em que os estudantes se aproximavam mais, eu me escondia para que não me vissem. Essa crise durou um tempão. O que me salvou foi a oração. E aprendi que se você não tem vida de oração não vai pra frente não. Pode ter muitos talentos, mas se não tiver vida de oração você vai cair em determinado momento.

Se você não tem amizade com Jesus, você fala bonito para os outros mas não tem aquela energia do que realmente se sente ou está sentindo ao falar. Não consegue passar para as pessoas. São apenas palavras, não passa a essência.
Depois que entrei em contato com Jesus, comecei a enfrentar o medo de me relacionar com as pessoas voltando a freqüentar a vila. E quando acontecia alguma coisa legal eu voltava melhor para casa.
No dia seguinte enfrentava o medo novamente. Se você tem vergonha, medo, vergonha de falar na frente, pega todo o seu medo e vai, enfrenta a situação, porque o Senhor não te abandona, ele dá um jeito. E também comecei a pensar, onde estão todos os livros que li, as palestras que ouvi? Que agora não funciona nada, que não vem nada na cabeça. A gente esquece tudo. Toda essa formação, essa bagagem que eu tinha do Brasil, foi tudo pro espaço. Precisava essa coisa de se sentir um nada completamente inútil para poder entender que Deus te chama pelo pequenino que você é. Que ele não te chama para ter todas as ferramentas. Eu queria ser a missionária competente que sabia fazer tudo. Eu entendi que não sou essa missionária. Mas eu sou a missionária que pode se relacionar com as pessoas, que pode acolher bem as pessoas. Que pode ir na vila, que pode comer a comida deles que pode ir na roça trabalhar com eles. A gente precisa aprender a acreditar no pequenino das coisas, nos gestos das coisas. E não se preocupar apenas com a grandiosidade das coisas.

Eu descobri que não posso dar um encontro de formação, de falar bonito, mas que eu posso me relacionar e nesse relacionamento o desejo de descobrir a pessoa de Jesus. Então daquela sensação de rejeição, eu passei a me apaixonar pela cultura, pelo povo.
E hoje me sinto muito magoada quando falam mal deles, porque não tem uma fama muito boa. Têm fama de pedir demais, e pedem pra caramba. Têm fama de serem espertalhões que contam muita mentira para obter as coisas.
Só quem convive sabe explicar porque eles são assim. Ninguém é maldade concentrada. Tem sempre algo de bom nas pessoas.
Percebemos o senso da beleza que eles tem. Papoula aqui é mato. Lá tem papoula de tudo quanto é jeito e cor. Adoram colocar atrás da orelha, fazem coroa de flor. Das crianças aos adultos a beleza é muito viva, muito presente. Gostam de dançar. Têm muito talento para aprender, uma inteligência tremenda. Aprendem violão sem estudar. E têm o dom de cantar, fazem cinco vozes com a maior naturalidade do mundo.

A vida deles é ainda muito marcada pela presença dos espíritos e da mágica. Então é uma luta deles e uma luta nossa como ajudar. Tem mágica boa e ruim, tem mágica que mata, tem mágica que ajuda a roça crescer.
Eles têm a crença de que quando alguém morre, outra pessoa fez a mágica para ela morrer. Mesmo que seja por malária, tuberculose ou Hanseníase.
Isso vai levar gerações e gerações  para que mude essa mentalidade.

Ainda não descobri a forma como demonstram carinho. Quando uma mulher cozinha, a melhor parte da comida é do marido.
Como a gente faz para ganhar a simpatia desse povo que possui uma cultura tão diferente da nossa?
Então compreendi que deveria começar pela língua.
Um padre do Pime muito abençoado preparou uma gramática e um dicionário.
E me dei conta do prazer que sentiam quando nos ouviam pronunciar as coisinhas mais simples na língua deles.

O humor muda de acordo com a cultura. O jeito de entrar no coração deles é a língua.
Ser pequeno não é se desvalorizar mais é essa capacidade de entender que tudo aquilo que Deus te deu tem mais espaço para o outro. É uma graça você sentir que faz parte daquele povo. E o objetivo é tentar ajudar  ao outro ver por si só o que ele tem de bom e o que não está de acordo com o Evangelho de Jesus.

Em Papua se fala mais de 1300 dialetos.
Temos que ser ajudados a aprender a ter o coração voltado para o mundo, sair do nosso mundinho isolado.
Mesmo que eles saiam do lugar para tentar melhorar a vida, quando morrem voltam para ser enterrados em Trobriand.
São matrelineais: os filhos quando nascem vão para o clã da mãe. O irmão tem que fazer a roça para a irmã. Se ela casar, o irmão vai continuar fazendo a roça para a irmã.

Mais falta a coisa universal, o sentido de saber que pertence a uma família maior.
Eles tem uma presença muito grande do sentido de comunidade, que só precisa ser retocado.
 A principal fonte de subsistência é o cará, uma batata. Ele vivem da roça, aquilo que se planta é o que se come. Muita batata-doce e mandioca. Verduras são determinadas folhas verdes comestíveis, encontradas no mato. Agora já tem tomate, melancia.
O peixe é carne mais encontrada.  A gente tenta adaptar nosso organismo o máximo possível à comida deles.  Como eles não conheciam o sal para dar sabor, as crianças vão para o mato pegar verdura e a gente troca por sal.
Os primeiros missionários católicos que foram para lá foram os do Sagrado Coração de Jesus.

Temos duas paróquias:
Wapipi ( Santa Maria)
Gusaweta ( Santo Antônio)

Entre a saída dos missionários do Sagrado coração e a chegada dos padres do Pime existe uma defasagem, então nós temos que correr atrás. A modernidade entrou e fica mais difícil de conquistar os jovens.
Em toda Papua tem missionários espalhados.
As mulheres têm um papel fundamental na economia dos Trobriandes. O dinheiro é feito de uma bananeira especial. Pega a folha da bananeira verde, tira o mais grosso, corta em pedaços e aí vão fazer o designer. Cada mulher tem o seu desenho. É privado.

O homem carrega uma bolsa e dentro encontramos:
Bua ou BWA - uma castanha excitante. Eles podem passar o dia inteiro sem comer, mas não passam sem mastigar a bua.
Eles mastigam a bua junto com a lima, a semente da  mostarda. Mesmo sabendo que mastigar a bua não faz bem, eles continuam mastigando. A lima deve queimar o estômago. A bua vicia.

Kauí - mastigar a bua com a mostarda
Koda - martigar a bua sem nada.

A bua é muito perigosa. Se um homem dá metade da bua para uma mulher, significa que tem segundas intenções. Então a gente tem que ter cuidado e não podemos aceitar metade da bua de homem nenhum.
Eles são artistas no trabalho da escultura da madeira. Não têm instrumentos, é feito com faca quebrada, lixa, etc.
Quando se casam, o rapaz tem que pagar o preço pela  moça e ela por ele. Há uma troca.

Lá todos sabem manejar o facão desde criança e cada um anda com o seu. Discussão? Lá vai facão.
 

Tendo esgotado o tempo, Ir. Jane agradece a oportunidade.
 

Abaixo Catolicanet entrevista Irmã Jane

Catolicanet -  Irmã, após uma experiência missionária tão bonita e instrutiva, o que dizer das pessoas que realizam a missão apenas em suas Paróquias?

Ir. Jane - Eu não posso ser precipitada e dizer para você o que as pessoas devem ser ou não.
O que eu vejo é que deve existir uma abertura de coração muito grande entre a gente. O outro é diferente de mim. Eu devo ser aberta para ação de Deus na vida dessa pessoa.
A gente tem algo a trocar, não tem mais essa de dizer que vou ensinar. Mas é a partilha da ação de Deus na minha vida. Se relacionar, se aprimorar em acolher, em conviver com o diferente e saber que o outro não é uma ameaça e sim um presente de Deus na minha vida.

Catolicanet -  A senhora mostrou um lugar onde as pessoas vivem totalmente alheias à tecnologia. Acredita que viveríamos melhor sem ela?

Ir. Jane - Eu sinto que eles são menos complicados para viver. Eles têm uma liberdade de vida, uma capacidade de esperar que a gente não tem mais.A gente está sempre correndo atrás de informação, das coisas, e não vivemos a vida. Eles têm a capacidade de viver a vida hoje. E eu acho que agora que estão entrando a tecnologia, a televisão, vai ajuda-los a perder isso. Eu acho que a qualidade de vida lá é muito melhor.
Eles têm uma capacidade de se ajustar às dificuldades e acho que é a vida da roça que ensina. Eles têm a capacidade de se ajustar até às trocas de padres e missionários.
Com muita tecnologia a gente vai se distanciando dos relacionamentos.

Catolicanet -  Se a irmã pudesse hoje dar um conselho para os jovens dos 5 continentes, qual seria?

Ir. Jane - Ah! Meu irmão, minha irmã, que conselho difícil. Alimenta de verdade o seu coração de todos os jeitos que você pode, essa vontade de ser aberto para os outros, de não ficar preso no seu umbiguinho. O que o outro tem a me oferecer. Da família a alguém que encontro na escola. Aquilo que tem a oferecer e a descobrir, isso é de Jesus. Nunca alimente no seu coração o desejo de ser fechado nas suas idéias.  Alimente Eu quero ser aberto. Aquilo que acredito, acredito, mas eu quero ser aberto àquilo que meu irmão quer me falar, quer conversar comigo. Eu acho que Jesus se encontra assim, nessa abertura de coração, que não quer dizer que não vou ter minhas convicções. Mas é a capacidade de ser aberto para o jeito que Jesus se manifesta no outro.

Catolicanet - Muito obrigado
 

Fonte: Catolicanet