Meryem Anà
      (... mesmo a morte, de inimiga,...)
"Onde estava Deus?"...
   ... muitos se perguntaram diante da tragédia do sudeste asiático (o tsunami). É pergunta séria. Uma pergunta que nos fazemos quotidianamente diante de qualquer sofrimento. Uma pergunta muitas vezes submersa, secreta, não gritada mas sofrida silenciosamente no íntimo.

  Duas respostas aparecem-me na consciência. A primeira: “Não creio em Deus porque tudo vai bem, mas, como creio em Deus, creio que em tudo está escondido um bem que antes o depois emergirá”. “Não creio em Deus porque o vejo mas, como creio em Deus, sempre o vejo misteriosamente operando. Só espero compreendê-lo”.

  A segunda resposta: pedir a Deus, diante da dor, onde está, não é uma blasfêmia, mas uma oração, um legitimo pedido de um homem pequeno diante de um Deus grande demais.

  A oração não é uma invocação abstrata mas a presença concreta de todo nosso ser diante de Deus, a oferenda de mim a ele assim como sou. Meu uivo, meu pranto, minha imprecação, minha suspeita, meu vazio interior, meu pecado que me humilha, a injustiça que me pisoteia são minha oração.

  Coloco-os diante dele como os vivo. A Deus tudo pode se dizer, porque a oração é minha experiência e a fé é me jogar nele com todo meu peso. Na Bíblia lê-se: “Até quando Senhor continuaras a esquecer-me? Até quando me esconderas teu rosto?

  Então digamos-Lhe: onde estas? Apontamos-lhe o dedo contra em um ímpeto de raiva e dor, mas depois apertamo-nos em cima dele e deixamo-nos levar: isso é que faz a diferença.

  Tem uma terceira resposta, a mais difícil e complexa, aquela que mais afeta nossa segurança, despista nossas lógicas mais racionais, quebra nosso orgulho, a nossa ilusão em dominar o mundo, nossa pretensão de homens justos. A resposta é: atrás de cada tragédia está uma tragédia mais profunda que envolve o universo todo. Uma tragédia cujas raízes são escondidas e antigas mas cujos frutos amargos são para todos os tempos e bem visíveis.

  Esta tragédia chama-se pecado e pode-se comparar, para compreendê-la, a uma infecção escondida que manifesta como sintomas convulsões e ataques de febre altíssima que cansam o organismo e o levam para a beira do colapso e da morte.

  O Mundo, diz a Bíblia, está preso à dor e à morte porque está preso ao pecado, não o meu ou o teu mas aquilo “nosso”, aquilo que passa de pai para filho a partir do primeiro “não” orgulhoso que se aninhou dentro de nós como uma doença congênita:

“não, obrigado, Deus!
  Não preciso de ti. Se tu estás, fazes sombra à minha liberdade; porque se eu devo existir, tu deves desaparecer”.

  Como o homem (o indivíduo, como cada comunidade e cada povo) conhece os ataques destrutivos da ira, do ciúme, da inveja, da soberbia, do egoísmo, do espírito de posse, da sensualidade, do culto do dinheiro e da aparência, assim a natureza criada conhece ataques cegos e destrutivos, o desencadear de forças descontroláveis que abatem-se de repente, talvez depois de incubar lento, e semeando morte.

  Como nem sempre tem amizade entre homem e homem, entre povo e povo, pelo contrário uma estranha inimizade e rivalidade, assim não sempre tem amizade entre homem e natureza, pelo contrário muitas vezes hostilidade e guerra mesmo. A imagem de uma natureza idílica e de um homem “bom” dentro dela, é falsa. Deus não está implicado, porque Deus no início, como diz a Sagrada Escritura, “fez bem cada coisa”. É o pecado que está implicado, que levou para fora do centro o eixo do homem, fazendo-o enlouquecer.

  A criação, casa do homem, ficou subvertida por causa do seu pecado, como o ficaria uma casa possuída por um louco. Foi submetida, sem sua vontade, à caducidade e ao desordem, revoltando-se contra o homem. Ficou como enlouquecida ela mesma.

  Deus, por amor da liberdade, deixou espaço ao pecado e à morte, seu fruto, e cujos sinais são evidentes tanto no homem como na natureza. Mas Deus, por amor do homem, não o abandona. Envia-lhe uma força iluminante, sanante e divinizante e inclina a seu favor as conseqüências trágicas do seu pecado.

  Ou seja Deus, que não desejou nem o mal nem a morte, deixa ao mal, ao sofrimento e à morte seu curso para que o homem, por isso tudo, se interrogue, se purifique, e torne em si mesmo.

  Quando o homem pergunta
  para Deus: “Onde estas?”, Deus pergunta para o homem: “e tu onde estas? Onde estou eu na tua vida? Onde estas teu coração? Para onde levam tuas vias?”.

  Mesmo a morte, de inimiga, pode se tornar amiga porque embaçando de repente tudo, pode trazer à luz coisas escondidas e colocar perguntas até então ignoradas. A dor, que mata e muitas vezes no início põe contra Deus, pode abrir trilhas desconhecidas e produzir frutos inimagináveis, pode levar para aquele Deus do qual nòs nos afastáramos e que por isso nos aparecia inexistente e estranho ou mudo.

  Deus não vigia sobre nossas tragédias para cinicamente nos enviá-las, não é cego ou detraído para não percebê-las, não é impotente para não poder delas nos salvar. Deus vigia sobre nosso mal porque dele nasça um bem.

  Não teme a dor dos seus filhos, mas o usa para que, como para uma criança levada para a cirurgia, dela nasça uma cura. Deus não olha de fora para a nossa dor mas entrou nela em Jesus, “homem das dores”, para nos mostrar como transformá-la numa via de luz , para vivê-la em nós e fazê-lo nos viver nele como meio de redenção e como fonte de vida.

  Se não queremos jogar fora uma tragédia ou uma morte, o sepultar por baixo de palavras eventos sofridos privados o públicos, devemos sempre do começo nos perguntar: para onde estamos indo? Ao redor do que roda nossa vida? Somos mesmo justos ou somos chamados à conversão? Onde mesmo está Deus? (...) São só estas as perguntas que permitem de ressuscitar.

    Padre Andrea Santoro         http://www.finestramedioriente.it/Home.htm
 (sacerdote missionário fidei donum, mártir na Turquia, 2006)

a oração à Maria
feita pelo Padre Andrea Santoro

Meryem Anà

Maria Mulher de Jerusalém
Onde te ofereceste com Jesus aos pés da cruz,

Maria Mulher do Cenáculo
Onde recolheste o sopro do Espírito Santo,

Maria Mulher de Èfeso,
Onde chegaste com João “teu filho”
Enviado em missão pelo Espírito:
orai por nós.

Maria mãe das ovelhas fora do ovil,
Mãe de quem não conhece teu filho,
Mãe daqueles que “não sabem o que fazem”:
orai por nós.

Maria mãe das almas sem vida,
Mãe das mentes sem luz,
Mãe dos corações sem esperança,
Mãe dos filhos que mataram teu Filho,
Mãe dos pecadores, mãe do ladrão não arrependido,
Mãe do filho não retornado:
orai por nós.

Maria mãe de quem não o há sanado,
Mãe de quem o há renegado,
Mãe de quem voltou pra trás,
Mãe de quem não foi chamado:
orai por nós.

Maria mãe daqueles que vão como João
em busca dos filhos de Deus dispersos,
Mãe daqueles que descem aos ínferos
para anunciar aos mortos a Vida:
orai por nós.

Maria mãe vem a viver comigo:
vem na casa onde me pede de morar,
vem na terra onde me pede de ir,
vem entre os homens que me pede de amar,
vem nas divisões que me pede de sanar,
vem nos corações que me pede de visitar.
Vem em minha casa para ser minha mãe,
Vem Maria me dar teu coração de mãe.

"Meryem Anà"
Maria Mãe” de todos os povos
orai por nós.










_________________
 Textos originais italianos:

Dov'era Dio?
  Molti se lo sono chiesti davanti alla tragedia del sud-est asiatico. È una domanda
seria. Una domanda che ci facciamo quotidianamente davanti a sofferenze di ogni
tipo. Una domanda spesso sommessa, segreta, non gridata ma sofferta
silenziosamente nell'intimo.

  Due risposte mi vengono in mente. La prima: «Non credo in Dio perché tutto va bene,
ma siccome credo in Dio credo che in tutto c'è un bene nascosto che prima o poi verrà
a galla». «Non credo in Dio perché lo vedo ma siccome credo in Dio lo vedo sempre
misteriosamente all'opera. Solo attendo di capirlo». La seconda risposta: chiedere a
Dio, davanti al dolore, dove si trova non è una bestemmia ma una preghiera, una
legittima richiesta di un uomo piccolo davanti a un Dio troppo grande.

  La preghiera non è un'invocazione astratta ma la presenza concreta di tutto il nostro
essere davanti a Dio, l'offerta di me a lui così come sono. Il mio urlo, il mio pianto, la
mia imprecazione, il mio dubbio, il mio vuoto interiore, il mio peccato che mi umilia,
l'ingiustizia che mi calpesta sono la mia preghiera.

  Li pongo davanti a Lui come li vivo. A Dio si può dire tutto, perché la preghiera è il
mio vissuto e la fede è gettarmi addosso a Lui con tutto il mio peso. Nella Bibbia si
legge: «Fino a quando Signore continuerai a dimenticarmi? Fino a quando mi
nasconderai il tuo volto?». DiciamoGli dunque: dove sei? PuntiamoGli pure il dito
addosso in un impeto di collera e di dolore, ma poi stringiamoci addosso a Lui e
facciamoci portare: questo fa la differenza.

  C'è una terza risposta, la più difficile e la più complessa, quella che maggiormente
piega la nostra sicurezza, spiazza le nostre logiche più razionali, spezza il nostro
orgoglio, la nostra illusione di dominare il mondo, la nostra pretesa di uomini giusti. La
risposta è: dietro ad ogni tragedia c'è una tragedia più profonda che coinvolge
l'universo intero. Una tragedia le cui radici sono nascoste e antiche ma i cui frutti amari
sono di ogni tempo e ben visibili. Questa tragedia si chiama peccato e la si può
paragonare, per capirla, a un'infezione nascosta che dà come sintomi convulsioni e
attacchi di febbre altissima che stremano l'organismo e lo portano ogni volta sull'orlo
del collasso e della morte. Il mondo, dice la Bibbia, è in preda al dolore e alla morte
perché è in preda al peccato, non il mio o il tuo ma quello "nostro", quello che passa
di padre in figlio a partire dal primo "no" orgoglioso che si è annidato in noi come una
malattia ereditaria:
  «grazie no, Dio! Non ho bisogno di te. Se tu ci sei, fai ombra alla mia libertà, perciò se devo esistere
io, devi sparire tu».

  Come l'uomo (il singolo come ogni comunità e ogni popolo) conosce gli attacchi
distruttivi dell'ira, della gelosia, dell'invidia, della superbia, dell'egoismo, dello spirito di
possesso, della sensualità, del culto del denaro e dell'apparenza, così la natura creata
conosce attacchi ciechi e distruttivi, lo scatenarsi di forze incontrollabili che si
abbattono all'improvviso, magari dopo aver covato a lungo, e seminano morte.

  Come non c'è sempre amicizia tra uomo e uomo, tra popolo e popolo, anzi una
strana inimicizia e rivalità, così non c'è sempre amicizia tra uomo e natura, anzi spesso
ostilità e guerra vera e propria. L'immagine di una natura idilliaca e di un uomo
"buono" all'interno di essa, è falsa. Dio non c'entra perché Dio all'inizio, come dice la
Scrittura, «ha fatto bene ogni cosa». C'entra il peccato che ha portato fuori centro
l'asse dell'uomo e lo ha fatto impazzire.

  La creazione, casa dell'uomo, è rimasta sconvolta dal suo peccato come lo
resterebbe una casa in preda a un pazzo. È stata sottomessa, senza sua volontà, alla
caducità e al disordine e si è rivoltata contro l'uomo. È come impazzita essa stessa.
Dio, per amore di libertà, ha lasciato spazio al peccato e alla morte che ne è il frutto e i
cui segni sono evidenti tanto nell'uomo che nella natura. Ma Dio, per amore del
l'uomo, non lo abbandona. Gli invia una forza illuminatrice, risanatrice e divinizzatrice
e piega a suo favore le conseguenze tragiche del suo peccato.

  Dio cioè, che non ha voluto né il male né la morte, lascia al male, alla sofferenza e
alla morte il suo corso affinché l'uomo, attraverso essi, si interroghi, si purifichi, e rientri
in se stesso.

 Quando l'uomo chiede a Dio:
  «dove sei?», Dio chiede all'uomo: «e tu dove sei? Dove sono io nella tua vita? Dove è
il tuo cuore? Dove portano le tue vie?». Proprio la morte, da nemica, può diventare
amica perché appannando all'improvviso tutto può portare alla luce cose nascoste e
porre domande fino allora ignorate. Il dolore, che uccide e spesso all'inizio pone
contro Dio, può aprire sentieri sconosciuti e produrre frutti inimmaginati, può riportare
a quel Dio da cui ci eravamo allontanati e che per questo ci appariva inesistente o
estraneo o muto.

  Dio non veglia sulle nostre tragedie per inviarcele cinicamente, non è cieco o distratto
da non accorgersene, non è impotente da non potercene salvare. Dio veglia sul nostro
male perché ne nasca un bene.

  Non teme il dolore dei suoi figli ma se ne serve affinché, come per un bambino
condotto in sala operatoria, ne nasca una guarigione. Dio non guarda dal di fuori il
nostro dolore ma ci è entrato dentro in Gesù, "uomo dei dolori", per mostrarci come
trasformarlo in una via di luce, per viverlo in noi e farcelo vivere in lui come strumento
di Redenzione e come fonte di vita.

  Se non vogliamo allora sprecare una tragedia o una morte, o seppellire sotto le
parole eventi dolorosi privati o pubblici dobbiamo sempre daccapo chiederci: dove
stiamo andando? Attorno a cosa ruota la nostra vita? Siamo davvero giusti o siamo
chiamati alla conversione? Dov'è davvero Dio? Farsi solo domande sui sistemi di
allarme e di prevenzione, fare solo ricerche di natura medica o scientifica, indagare
solo sui danni di natura economica, significherebbe sprecare la morte di tanti e buttare
al mare un patrimonio di dolore. Le prime domande sono importanti e doverose. Ma le
seconde lo sono ancora di più. Le prime sono difficili, le seconde ancora di più. Le
prime permettono di ricostruire, le seconde permettono di rinascere.
 

                                             la preghiera a Maria
                                                  “Meryem anà”

                                        Maria Donna di Gerusalemme
                                Dove ti offristi con Gesù ai piedi della croce,

                                          Maria Donna del Cenacolo
                               Dove raccogliesti il soffio dello Spirito Santo,

                                             Maria Donna di Efeso,
                                  Dove giungesti con Giovanni “tuo figlio”
                                       Inviato in missione dallo Spirito:
                                                  prega per noi.

                                 Maria madre delle pecore fuori dall’ovile,
                                     Madre di chi non conosce tuo figlio,
                            Madre di coloro che “non sanno quello che fanno:
                                                  Prega per noi.

                                     Maria madre delle anime senza vita,
                                         Madre delle menti senza luce,
                                        Madre di cuori senza speranza,
                                   Madre dei figli che uccisero tuo Figlio,
                           Madre dei peccatori, madre del ladrone non pentito,
                                        Madre del figlio non ritornato:
                                                  prega per noi.

                                    Maria madre di chi non lo ha seguito,
                                         Madre di chi lo ha rinnegato,
                                        Madre di chi è tornato indietro,
                                      Madre di chi non è stato chiamato:
                                                  prega per noi.

                             Maria madre di coloro che vanno come Giovanni
                                        A cercare I figli di Dio dispersi,
                                   Madre di quelli che scendono agli inferi
                                        Per annunciare ai morti la Vita:
                                                  prega per noi.

                                     Maria madre vieni a vivere con me:
                                 Vieni nella casa dove mi chiede di abitare,
                                 Vieni nella terra dove mi chiede di andare,
                                Vieni tra gli uomini che mi chiede di amare,
                                Vieni nelle divisioni che mi chiede di sanare,
                                  Vieni nei cuori che mi chiede di visitare.
                                      Vieni a casa mia a farmi da madre,
                                 Vieni Maria a darmi il tuo cuore di madre.

                                                 “Meryem anà”
                                       “Maria Madre” di tutti i popoli
                                                  Prega per noi.