ENTREVISTA
JA - Como o senhor recebeu a notícia da sua nomeação?
Pe. José Negri - A surpresa foi muito grande porque me achava ainda muito novo para assumir um cargo de responsabilidade como este.
JA - O senhor foi ordenado padre em 1986 e a maior parte da sua vida pastoral foi realizada no Brasil, sendo grande parte dela na Arquidiocese. Quais são as suas expectativas a respeito da sua nova missão entre nós?
Pe. José Negri - Para dizer bem a verdade, não sei bem o que me espera. De fato, sinto um grande amor pela Igreja e em todos estes anos de vida presbiteral sempre foi viva em mim uma sensibilidade pelo clero e pela formação dos futuros padres. Agora concretamente, como Bispo-Auxiliar, acredito que a minha tarefa principal será a de estar em unidade com o Arcebispo Dom Murilo e ajudá-lo em todos os compromissos que me serão pedidos, de acordo com as exigências da Arquidiocese e do seu plano de Pastoral.
JA - O senhor é membro do Pontifício Instituto das Missões Exteriores, PIME. Pretende, no seu ministério episcopal, dinamizar o trabalho missionário na Arquidiocese?
Pe. José Negri - Com certeza a minha alma permanece missionária. Como posso esquecer o carisma que me levou anos atrás a deixar tudo em meu país e vir aqui para o Brasil? Eu vibrei quando, na última Assembléia Arquidiocesana de Pastoral, foi escolhida como prioridade a realidade dos Grupos Bíblicos em Família: acredito que esta pode ser uma forma para chegar a todos os católicos, mesmo os mais afastados. Fiz esta experiência na paróquia em que trabalhei, e vi que esta forma, como outras, pode ser uma maneira para desenvolver a dimensão missionária em todos os seus aspectos.
JA - A Arquidiocese tem quatro padres em paróquias missionárias no Brasil e no próximo mês um padre assumirá missão na África. Qual a importância que o senhor dá a esse trabalho?
Pe. José Negri - Pessoalmente vejo que estes padres se tornam para toda a Arquidiocese expressão concreta da missionariedade da Igreja. Quando uma Igreja é madura, pode fazer estes passos concretos, "dá da própria pobreza", porque a finalidade não é a de acumular para si, mas a de oferecer as próprias forças para o Reino que deve chegar até os confins da terra. O Papa João Paulo II nos lembrava, na sua carta Redemptoris Missio, que uma Igreja que se fecha em si, é destinada a morrer.
JA - O senhor é pároco em São Judas Tadeu, Brusque, orientador espiritual do Seminário Filosófico do PIME e Vice-Regional da Região Brasil Sul. Como ficarão esses outros compromissos com a sua nomeação?
Pe. José Negri - Atualmente terminei o meu encargo no seminário, e fiquei somente como pároco e como Vice-Regional. Infelizmente devo admitir que a substituição de padres é uma verdadeira dor de cabeça para um Superior de um Instituto pequeno como é o PIME. Em todo caso acredito na Providência, e tenho a plena certeza de que no Plano de Deus "tudo concorre ao bem", e portanto serão encontradas outras pessoas que assumam estes serviços.
JA - Que mensagem deixa para os nossos leitores, que a partir de março terão o senhor bem mais perto deles?
Pe. José Negri - Quando em 1987 cheguei nesta Arquidiocese como padre recém-ordenado, eu logo me senti muito bem acolhido: seja pelos bispos, pelos padres e por todo o povo com quem trabalhei. Tenho lindas recordações daquele tempo e, sinceramente devo admitir que este amor que senti por parte do povo catarinense a quem o Senhor me enviou, me ajudou a crescer, a aprender o que significava ser padre e missionário. Hoje, nesta mesma Arquidiocese que tanto amo e na qual passei a maior parte dos anos da minha vida missionária, Deus me chama novamente a dar a minha vida num novo tipo de missão.
Não desconsidero o fator principal e que quis resumir no meu lema episcopal "Basta-te a minha graça" (2Cor 12,9). Estou convencido, de fato, de que Deus, na hora em que me escolheu, já me deu a sua graça para enfrentar esta nova missão. De qualquer forma acredito também que, nesta fase de "aprendizagem", necessito da ajuda de todos a fim de que este serviço seja um passo a mais rumo à santidade.
Fonte: CNBB
Sufficit tibi gratia
Basta-te
a minha graça
pois é na fraqueza
que a força manifesta
o seu poder
(2
Cor 12,9)
na sua consagração
episcopal