Entrevistamos o Pe. Raju
(Vandanam Paju Koppula, originário do Andhra Pradesh), indiano e
missionário do PIME que, em breve, fará parte da Equipe do
Missão Jovem.
Seu testemunho de vida é
uma riqueza para todos nós e uma motivação a mais
para motivar os jovens a decidirem?se pela vida missionária.
MJ (Missão Jovem): Pe. Raju, como você iniciou sua caminhada vocacional?
PE. Raju:
Desde
pequeno tinha vontade de entrar no seminário para ser padre. Depois
de completada a quinta série em minha cidade, pedi a meus pais para
estudar numa escola católica onde o ensino era melhor. Além
da distância, 120 Km, a mensalidade era alta e pesava no bolso da
família. Meu pai me deixou livre para tomar esta decisão,
enquanto minha mãe, devido à distância, não
concordava.
Gostava muito daquela escola,
onde servia também como coroinha na Missa cotidiana. Na oitava série,
a professora nos perguntou: o que vocês gostariam de ser no futuro?
Alguns disseram que gostariam de ser engenheiro, médico, professor,
jogador, etc... Eu logo respondi: "Quero ser padre!". Todo mundo riu! No
meu país isso é algo estranho, pois a maioria dos padres
vinha de outro país. Ao conhecer esta minha intenção,
o diretor começou a me tratar de maneira diferente e me propôs
diversos seminários. Só mais tarde conversei com os meus
pais.
MJ: Qual foi a reação de seus pais?
PE. Raju: Meu pai me deixou livre para escolher, mas a minha mãe não concordou porque os missionários vão para longe e ela sonhava que eu cuidasse deles quando fossem idosos. Para amenizar este problema, continuei os meus estudos, normalmente, até o segundo ano da faculdade de História.
MJ: Você tem alguma frase ou pensamento que o ajudou a seguir este caminho?
PE. Raju:
Há
doze anos, quando decidi entrar no seminário, me mar cou o convite
de Jesus:
"Vem e segue-me!"(Lc 5,27).
Somente quem tem a certeza de fazer alguém feliz pode convidar com
tanta força. Isso firmou minha vontade, deu?me força para
livrar?me dos sonhos dos meus pais e orientar-me decididamente para o serviço
do Senhor.
"Vem e segue-me!". É
assim que Deus chama e transforma os nossos sonhos no sonho dele. Trata-se
de um sonho que constrói comunhão, aquela comunhão
de amor que éa mesma natureza de Deus Trindade. É nesta comunhão
com Deus que temos a força de participar da mesma missão
de Cristo.
MJ: Pe. Rajo, fale-nos um pouco de sua caminhada. Não há dúvida que houve dificuldades, mas certamente não faltaram pessoas que o apoiaram para que o sonho de tornar-se padre não morresse.
PE. Raju: Foi muito difícil conversar com os meus companheiros da universidade sobre este desejo e demorei a convencê-los. Pelo contrário, quem mais me ajudou foi o meu antigo diretor de escola que sempre me ajudou no amadurecimento da minha vocação e que permitiu que abandonasse o curso de História para entrar no seminário. Também minha avó me falava sempre com amor do sacerdócio e me ajudou na escolha do PIME, instituto missionário que trabalhava na minha paróquia.
MJ: Por que esta opção pelas missões estrangeiras, se na india a maior parte da população ainda não é cristã?
PE. Raju: Porque quero ser um pequeno sinal da minha Igreja de origem no mundo. Ela também recebeu a fé cristã dos missionários. Hoje, mais do que nunca, sabemos que toda Igreja, desde o seu nascimento, deve ser missionária!
MJ: Pe. Raju, para finalizar, você gostaria de deixar-nos alguma mensagem?
PE. Raju:
Gostaria
de concluir com uma reflexão a partir da parábola do jovem
rico (Lc18,18?22).
O protagonista é um jovem
que sempre observou os mandamentos. Ele tinha grandes ideais e o desejo
de fazer sempre o melhor. No fundo ele se assemelha com cada um de nós.
Por que será que este jovem queria se encontrar com o Mestre? Ele
era muito rico, mas queria saber o segredo para ter a vida eterna e a verdadeira
felicidade, já nesta terra. A vida que estava levando não
o deixava satisfeito. Desejava algo melhor.
Ouvindo falar muito de Jesus,
como de um grande profeta, tomou a iniciativa e foi até Ele. Jesus
mostra-lhe seu amor e compreende seu desejo. Improvisamente Jesus lhe faz
uma proposta empenhativa "de perfeição": deixar tudo para
segui-lo! Mas o jovem não aceitou e foi embora triste! Ele "tinha
muitas riquezas" e era preso a elas.
Um jovem cheio de belas intenções
e de grandes ideais, mas sem coragem e sem vontade. Infelizmente esta história
se repete até hoje, causando tristeza e prejuízo num mundo
que necessita de discípulos e de missionários destemidos
para a construção do Reino.
FONTE: Missão Jovem